segunda-feira, 22 de junho de 2020
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Mais de três mil mulheres são chefes de família em Venâncio

Por Eduarda Wenzel -
Janaine trabalha como auxiliar de limpeza e se desdobra para dar conta dos gastos e do cuidado com as filhas Yasmin, Kauani e Isabelle (Foto: Eduarda Wenzel/Folha do Mate)
Venâncio Aires tem 3.183 mulheres chefes de família, conforme dados do Cadastro Único, da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Social. As mães que são as principais responsáveis pelo sustento da casa integram o grupo com direito ao auxílio emergencial do Governo Federal, por conta da pandemia do novo coronavírus.
As chefes de família representam em torno de 4,4% da população do município, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dentro desta estatística está Janaine Catiana Graef, 41 anos, que teve a rotina alterada há cerca de um ano e meio, quando se separou. Mãe de três meninas, ela trabalha como auxiliar de limpeza, mas não possui vínculo empregatício, por isso, recorreu ao auxílio emergencial para ter renda neste momento.
Em março, quando as escolas pararam e começou o incentivo ao isolamento social, Janaine foi dispensada de quase todas as casa que trabalhava. “Tinha faxina para fazer de segunda a sábado, agora tenho só uma vez na semana”, conta. Por isso, a renda da família, que depende dela, diminuiu muito. “Eu recebia todos os dias, nos finais de semana pagava as contas e fazia mercado, agora não posso mais contar com isso, então recorri ao auxílio emergencial, que está me ajudando muito”, garante.
A moradora do bairro Xangrilá explica que a maioria das pessoas para as quais ela prestava serviço é do grupo de risco, assim como ela, que tem problemas respiratórios. “Tentei ir para fumageira, mas como também tenho pressão alta, eu não consegui”, conta.
Conforme a chefe de família, é um desafio cuidar das filhas, da casa e trabalhar fora. “Trabalho direto e à noite eu faço tudo, limpo a casa, lavo roupas e faço comida. Às vezes, não dá tempo e acaba ficando para fazer no sábado”, conta.
No turno oposto da aula, as filhas frequentam a Organização Não Governamental (ONG) Parceiros da Esperança (Paresp). “É uma instituição que nos ajuda muito no cotidiano e neste momento ainda mais”, enfatiza Janaine.
Papel de mãe
A auxiliar de limpeza lembra que perdeu a mãe cedo, quando ainda era criança, por isso procura ser uma ‘mãe amiga’ e dar exemplo para as meninas. “É muito importante ter essa figura da mãe presente, eu sinto falta disso”, lamenta.
Ela aconselha que, mesmo com as dificuldades e a correria do cotidiano, todas as mães tirem um pouco de tempo para ajudar seus filhos e também para escutá-los. “Somos só nós três, uma pela outra. Eu trabalho e sempre batalho por elas.”
Quase 40% das mulheres do Brasil são chefes de família
A economista Cíntia Agostini cita dados do Censo Demográfico de 2010, para mostrar a representatividade das mulheres como chefes de família no país. O estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostrou que 37,3% das mulheres brasileiras são responsáveis pela casa e, no estado, em média, 37% são chefes de família. Do total de mulheres que administram a casa, conforme a pesquisa, 86,8% eram sozinhas e não tinham cônjuge, na época do estudo, e 40,8% viviam com até meio salário mínimo.
Segundo Cíntia, o perfil de ‘chefe de família’ mudou há tempo, por isso, os números do Censo Demográfico já devem ter aumentado. “A mulher começou ocupar espaço no mercado de trabalho e lutou pelos seus direitos, apesar de ainda termos uma sociedade machista e a mulher ainda enfrentar preconceito quando é a administradora da casa e da família no todo”, enfatiza.
A economista destaca a importância dos auxílios que complementam a renda das mulheres chefes de família. “Nem todas conseguem ter uma economia adequada, trabalham informalmente e sustentam a casa sozinha, então a ajuda é necessária”, enfatiza.
Cíntia observa que, em meio à pandemia, muitas dessas mulheres podem ter perdido a única fonte de renda, por isso, o auxílio emergencial é ainda mais importante. “Infelizmente um dos aspectos que a pandemia vai trazer é o aumento da pobreza, porque são essas famílias que já vivem em situações vulneráveis que vão ser os primeiros a perder o emprego”, prevê.
segunda-feira, 8 de junho de 2020
Assinar:
Postagens (Atom)











































